O Ki no Aikido – Pelo mestre Itsuo Tsuda

2° parte

 

Seja qual for vosso método ou disciplina, se o mesmo leva à destruição, de nada serve à meus olhos.

 

O que é o Aikido? Não sei. Depende do que você espera. O que é o Cristianismo? Quando leio o Evangelho, compreendo Jesus. Porém com o que aconteceu depois, já não compreendo nada: cruzadas, inquisição, guerras de religião, etc... Agora vou falar brevemente da eficácia do Mestre Ueshiba. Se nenhum de seus discípulos conseguiu adquirir seu nível de eficácia, não tem culpa seu Aikido. Se Jesus vivesse na Europa cristianizada de hoje e refizesse o que fez há 20 séculos atrás, seria encarcerado por promover a desordem. O Aikido estruturado não reflete grande coisa da verdade do Mestre Ueshiba.  

       

Numerosos ocidentais conhecem exemplos das proezas do Mestre Ueshiba. Sito aqui algumas, não para tirar proveito a favor do Aikido, e sim com o fim de poder realçar algo mais, a essência que sustenta sua arte.

 

Podemos dizer de maneira geral, que ele desafiou todas as leis conhecidas dos fenômenos físicos.

 

Aqui há opinião é dividida entre os que acreditam sem poder explicá-lo, e os que o negam categoricamente.

 

Como é possível que um homem de estatura pequena possa arremessar homens que o ultrapassam algumas vezes 20 ou mesmo 30 centímetros? Não somente um mas vários atacantes por vez.

 

Ele era inatacável tanto acordado como dormindo, de frente ou de costas, abertamente ou surpreendido, tanto com as mãos vazias como portando armas... inclusive com revólveres.

 

Há de se acreditar nestas coisas ou refutá-las?

 

Existem várias posturas possíveis:

 

                    1)  Refutar tudo o que não se explica, ainda que exista.

                          2)  Aceitar os feitos ainda que não sejamos capazes de explicá-los.

                          3)  Crer em tudo o que não exista.

 

A Primeira das posturas, a dos racionalistas intransigentes, existe não só na Europa, mas também no Japão.

 

Taxar tudo o que se explica, de sobrenatural ou místico, é uma solução fácil que nos conduz a nada. Creio, ao contrário, que o Mestre Ueshiba foi um dos homens mais naturais que já conheci.

 

O Mestre Nogushi teve a oportunidade de ver o Mestre Ueshiba durante não sei qual reunião.

 

“― O Mestre Ueshiba, é muito bom”, me disse, porém nada mais. Sua habilidade de julgamento é extraordinariamente certa. Ele pode detectar em uma fração de segundo o que alguém não havia visto depois de 30 anos. Permaneço, em todo caso, distante de ser partidário dos buscadores do sobrenatural.

 

Vi Mestre Ueshiba praticando com seus alunos no antigo dojo, uma construção de madeira que já não existe mais. Foi substituída por um edifício de concreto.

 

Lhe vi, por exemplo, rodeado de uma dezena de alunos que armados cada um com um bastão lhe cercavam por todos os lados. Nestas condições é impossível para qualquer um fazer o menor movimento. Se move-se para a direita ou para esquerda, para frente ou para trás, é inevitável receber bastonadas no ventre ou no peito.

 

Ouço um grito, o Kiai, e vejo os alunos no solo com seus bastões. Ele está de pé sorridente. O Que fez para escapar?

 

Tenho diante de mim uma foto tirada durante uma demonstração na grande festividade de Hibiya diante de 2000 espectadores. O Mestre Ueshiba segura com a mão direita um Bokken, ligeiramente dirigido para cima. Com graça, segura com sua mão esquerda uma parte de seu Hakama. Se só fosse isso, se veria a um ancião regando uma fileira de flores com um regador de boca larga. Contrariamente a isso, há três jovens fortes empurrando este bokken, agarrando-o com suas mãos, perpendicularmente ao sentido do Bokken.

 

Estão inclinados a 45° para exercer o máximo de sua força. Alguns instantes depois, o Mestre afrouxa o Bokken e os três jovens caem para frente em um perfeito conjunto; isto só é possível porque empurravam de verdade. Além disso conheço estes três jovens pessoalmente. Estão longe de ser complacentes, nem dispostos a fazer regalos.

 

 

Quando contei esta história para um francês, ele disse: “― Matematicamente impossível” e não quis saber mais. Um bom cartesiano.

 

Hoje em dia a situação tem mudado um pouco, porque a mesma ciência tem demonstrado que o que é matematicamente impossível pode existir. Aqui nós temos ficado, porque a ciência não pode crer numa impossibilidade matemática. Seria ir contra a sua vocação fazê-lo.  

 

 

 

 

 

fonte: www.geocities.com/musubi00_2000/entreitsuo.html

 

 

Tradução: Rubens Caruso Jr.

12/01/2003

10h15

(texto atualizado 2006)

 

 

 

Itsuo Tsuda

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Itsuo Tsuda (1914 - 1984). When he was 16 year old he broke with his father's will who would him to manage his family's estate as the eldest son; so he let his family and starts wandering, searching the free of thinking.

Having reconciled with his father, in 1934 he went to France, where he studied with Marcel Granet and Marcel Mauss until 1940, when he went back Japan: he studied Noh with Master Hosada, Seitai with Master Haruchika Noguchi and Aikido with Master Morihei Ueshiba.

In 1970 Itsuo Tsuda came back to Europe to disseminate regenerative movement and his ideas on Ki. In 1973 he published his first book, "Le Non-Faire" (Paris: Courrier du Livre; Translation: "Not Doing". Sum. ISBN 2-88063-007-X. Out of print; Italian Translation: "Il Non-Fare. Scuola della Respirazione". Milano, Luni Editrice, 2003 | ISBN 8874350236. translation by Scuola della Respirazione).

He died in Paris in 1984 but nowadays, in Europe, in the dojos of "School of Breathing", his practical philosophy and his teachings still live throughout his work and his books.

See also: Aikido, Qi, Morihei Ueshiba

 

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