Reminiscências de Morihiro Saito

2° parte

 

 

Primeira visita à Iwama

 

Um de meus amigos Americanos, Bill Witt, o qual eu tinha encontrado anteriormente na Califórnia, estava vivendo no Japão naquela época e treinando no Hombu dojo. Ele estava muito entusiasmado com o método de Aikido de Saito Sensei e desejava visitar o Sensei em Iwama. Bill pediu-me para acompanhá-lo até o interior para encontrar Saito Sensei e ver o Dojo Iwama e o Templo Aiki. Eu ansiosamente concordei e nós embarcamos na linha Joban da estação Ueno em uma manhã quente, e abafada de Julho.

 

Saito Sensei estava ensinado uma classe privada quando chegamos, e convidou-nos para assistirmos a ela. Depois do treino ele conversou conosco por uma hora aproximadamente e nos fez sentir muito bem-vindos... Minhas habilidades na língua japonesa nesse estágio eram bem básicas assim na maior parte escutei Bill e o Sensei conversarem sem ser capaz de acompanhar muito da conversação.

 

Este encontro acabou sendo fortuito, com Bill visitando Saito Sensei freqüentemente e logo, pelo inicio de 1970, outros estudantes estrangeiros seguiram e começaram a viver no Iwama Dojo como UchiDeshi. Entre os primeiros estrangeiros a treinar no Dojo durante este período estavam Hans Goto, David Alexander, Dennis Tatoian, Bruce Klickstein, todos dos Estados Unidos, e Ulf Evenas da Suécia. Este foi o início de uma tradição de visitas de treinamento de literalmente milhares de estrangeiros Aikidoka, que dedicaram desde poucos dias até vários anos praticando em Iwama. Isto também levaria Saito Sensei a receber numerosos convites para instruir em paises estrangeiros. De fato, acredito que foi somente um ou dois anos durante o período de 1974-2001 que ele não viajou para fora do país.

 

Embora eu tivesse uma impressão muito favorável do Sensei, de meu verão treinando no Japão, no obstante ali haviam outros professores japoneses que eu desejava conhecer, e neste estágio, eu não tinha nenhuma idéia  particular de um dia estudar em Iwama. 

 


1974 – Seminário na Califórnia e entrevista

 

Uma vez que retornei para Califórnia, fui imediatamente introduzido no exército dos Estados Unidos e servi durante 3 anos. Fui mandado para Monterey, e ensinei Aikido ali e em outros lugares ao norte da Califórnia por vários anos.

 

Não tinha logicamente visto mais Saito Sensei desde minha viagem ao Japão em 1969 porém meu interesse em sua metodologia do Aikido foi reacendida quando ele começou a publicação de uma série técnica de livros em cinco volumes em 1973, intitulada Traditional Aikido. Esses livros foram publicados por Minato Research, dirigido por um estudante de Saito Sensei chamado Tetsutaka Sugawara. Na Califórnia, nós esperávamos ansiosamente a publicação de cada novo volume. Esta série contém seqüências técnicas bem organizadas, claras explicações e comentários em um formato bilíngüe, e muitas das maravilhosas fotos antigas de O-Sensei. Os conceitos básicos do Aiki Ken e Jo foram também tratados e lembro-me tentando desenvolver as seqüências de Katas com meus estudantes enquanto usando seus livros como uma referência. Também, Saito Sensei foi amável o bastante para enviar assinaturas, dando cópias de seu primeiro volume para diversos instrutores de Aikido ao norte da Califórnia, inclusive eu mesmo.

 

 

Bill Witt, Terry Dobson, and Saito Sensei, Aikido of San Francisco

 

Foi uma excitante ocasião quando o Sensei viajou para fora do país pela primeira vez em Outubro de 1974 para o norte da Califórnia. O Uke e companheiro de viagem do Sensei foi Shigemi Inagaki Sensei, um formidável Aikidoka. David Alexander e Dennis Tatoian também formavam parte do séqüito do Sensei no Japão. Vários de seus primeiros estudantes estrangeiros UchiDeshi incluindo Bill Witt, Bruce Klickstein e Hans Goto estavam estabelecidos ao norte da Califórnia e o Sensei havia sido convidado por eles para conduzir seminários nesta ocasião. Ele ministrou, vários seminários em San Francisco e na Universidade de Stanford em Outubro 5-6 e Outubro 12-13, respectivamente. Abaixo está uma parte da reportagem que escrevi em uma das primeiras edições do Aiki News de Outubro de 1974:

 

“A eficácia de Saito Sensei como professor foi certamente notável. E isto foi conseguido sem conhecimento da língua de seus estudantes. Seu método de apresentação consiste primeiramente de pantomimas em câmera-lenta de técnicas individuais com um mínimo de verbalização. Este se complementa com cuidadosos agrupamentos de movimentos relacionados oferecendo uma bem-focada perspectiva de muitos aspectos do sistema do Aikido."

 

Aqueles presentes não puderam evitar de comentar a grande serenidade apresentada por Saito Sensei durante o curso dos dois Gasshuku, tanto sobre a esteira como fora dela. Ele permaneceu centrado e calmo a despeito do fato de encontrar-se imerso pela primeira vez em uma cultura estrangeira. Digno de notar também é a extraordinária resistência de Saito Sensei. Ele participou integralmente em todas as sessões instruindo os estudantes individualmente e recebendo quedas. Ele permaneceu paciente e ao mesmo tempo enérgico durante as muitas horas de intenso treinamento dos dois Gasshuku. O impacto de sua presença e método de ensino foi muito eficaz e continuará ressoando nesta região durante muito tempo... 

 

Fui afortunado o suficiente para ter uma oportunidade de realizar uma pequena entrevista com o Sensei, na Universidade de Stanford com Katsuaki Terasawa servindo como interprete. Esta entrevista aparece na edição de Junho de 1975 da revista Aiki News,  que era um pequeno informativo em sua infância.

 

Houve um acontecimento particular desta viagem que eu nunca esquecerei. O Sensei estava ensinando uma classe de Aikido em San Francisco e demonstrava uma técnica de Kokyu Nague, se me lembro corretamente. Seu Uke era David Alexander. O Sensei arremessou David horizontalmente porém julgou mal a quantidade de espaço que tinha livre. Justo na metade do arremesso quando tinha se tornado evidente que David iria chocar-se com as pessoas que tinham se aglomerado perto para melhor observar, o Sensei projetou seu braço esquerdo e agarrou David em pleno ar, assim impedindo uma colisão. Ninguém podia acreditar no que tinham visto. O Sensei teve a presença de mente, reflexos rápido como um raio e força física necessária para realizar com sucesso tal proeza. Nunca tinha visto qualquer coisa como isto antes ou desde então.

 

(Click aqui para ler a 3° parte do Texto)

               

Aiki News

 Tradução: Rubens Caruso Jr.

2003