Seminários e Eventos
Atualmente (2003) o Aikido no Brasil, vem recebendo anualmente a visita de diversos instrutores conceituados mundialmente. Sendo que cada um destes apresenta diferentes qualidades, tanto técnicas como filosóficas.
É muito interessante observarmos que hoje no Brasil, cada grupo possui sua própria metodologia, enfoque técnico e filosófico. Isso baseado em muito na experiência adquirida através do contato com estes instrutores excepcionais e suas organizações no exterior.
Há alguns anos, a única forma dos Aikidokas brasileiros terem acesso a estes professores era através de viagens ao exterior, que quase sempre eram realizadas por um pequeno grupo de seus representantes ou mesmo por apenas um representante, o que dificultava em muito o aprimoramento do Aikido aqui no Brasil.
Hoje graças ao trabalho incessante de professores tais como os Sensei Wagner Bull (Instituto Takemussu), Sensei Severino Salles (Febrai), Sensei Makoto Nishida (Fepai), Sensei Reishin Kawai (Confederação Sul-Americana), Sensei Eduardo Pinto (Yoshinkan), entre outros... que têm se empenhado em organizar anualmente a vinda de Senseis tais como o Yoshimitsu Yamada, Sensei Kawabi, Sensei Fujita e o Sensei Donavan, nosso desenvolvimento técnico dentro da arte deu um grande salto qualitativo.
Infelizmente, nem tudo é perfeito... Existe ainda no Brasil um certo preconceito e reserva por parte de alguns dirigentes do Aikido com relação à presença de seus associados nestes eventos considerados Internacionais e abertos a qualquer um sem distinção. Algumas vezes chegando mesmo ao cúmulo de proibirem expressamente, sujeito a punição, que seus alunos ou representantes participem ou mesmo assistam tais seminários ou eventos, especialmente quando organizados por professores ou organizações consideradas rivais ou dissidentes.
Normalmente tais professores se valem do conceito de Giri, ou “dívida-moral”, dizendo à seus associados que não devem prestigiar tais eventos porque isso significa apoiar organizações não confiáveis ou ilegítimas.
Muitas praticantes, por este motivo acabam perdendo a oportunidade de conhecer excelentes professores que tiveram o privilégio de serem instruídos diretamente por O-Sensei ou que praticam a décadas com alguns dos principais instrutores da nossa época, e aprimorar o seu próprio Aikido!
Estes professores que agora nos visitam possuem uma rica é valiosa experiência no Aikido, e se dispõe a compartilhá-la com outros praticantes para ajudá-los e a si mesmos à aperfeiçoar-se na arte e na vida.
Somos seres humanos, portanto passíveis de erros. Uma de nossas maiores qualidades é o questionamento de nossas próprias ações, sem esta autocrítica acabaríamos em um estado letárgico e provavelmente o desenvolvimento da sociedade caminharia irreversivelmente para abismos ideológicos como o Racismo ou o Narcisismo. Com isso, quero dizer que temos a obrigação de agir de acordo com nossos próprios princípios morais. Ninguém deve agir contrário a isto, mas devemos manter em mente que nossa condição humana é sempre passível de errar e que o auto-questionamento é sempre necessário, independente de quanto acreditamos estar certos! Impor através do terror, uma crença pessoal à um determinado agrupamento humano é um erro deplorável que os dirigentes deveriam evitar a todo o custo!
É tudo uma questão de integridade não somente consigo mesmo mas também com a realidade em que vivemos.
Rubens Caruso Júnior
08/03/2006
(Texto antigo revisado)