Caminhada

 

Há um mistério na vida, mestre. Sigo por esta estrada, marcada por suavidades e asperezas, e contemplo o horizonte, querendo confundir-me com o ilimitado. Cresce, apesar dos incessantes passos, a sensação de lonjura. Como atenuar este estado interior, conquistando serenidade?

 

É necessário expandir a visão íntima mais do que a exterior.

 

Cada ato que praticares para permanecer na caminhada, esforçando-te pela comunhão com o Poder Eterno, é a realização ideal. Não anseies o horizonte distante ou a tua consciência não perceberá o bem que nasce ao teu lado. Conquista tranqüilidade pois toda inquietude gera desatenção. A beleza do horizonte agasalha-te mesmo à distância. Por que exigir proximidade?

 

Julguei que esse percurso transcorresse mais rápido. O dia e a noite encontram-me repetindo as mesmas experiências sem grandes transformações.

 

Cuidado, Chin An Ling com essa ansiedade de grandes realizações. Começa pelo mais simples, sem nenhuma ambição. Se for preciso, pára em determinadas sombras que a estrada oferece-te para aprofundares a meditação. Quantas vezes parando é que se alcança um bem maior? Os que passam correndo enquanto caminhas, afastaram-se da prudência. Vês aquele homem, Chin An Ling?

 

Sim, Mestre!

 

Observa-o. Sentado na relva, tem os olhos, momentaneamente, fechados. Une-se ao Poder Eterno e haure forças para a continuidade de seu caminhar. Compreende que a plenitude para nós, neste momento, não é a amplidão. O que farias com o ilimitado?

 

Não sei, mestre, não sei...

 

Muitas vezes, recebendo uma semente, o homem não sabe como semeá-la e abandona-a, à margem de seus passos, sem o menor esforço da descoberta. O necessário, que te vem à mão, obedece à Sabedoria Eterna. É a parcela junto à qual tens condições de construir.

 

Mestre, tuas reflexões levam-me a compreender que felicidade é estar na estrada, aprendendo na seqüência branda do caminhar.

 

 — Louvo-te a receptividade, Chin An Ling e percebo que a teu lado seguirei em harmonia. Nossa busca precisa convergir para a simplicidade e, se fugirmos das pequeninas realizações, não atingiremos o Poder Eterno.

 

  Chei Ai Min (26/03/89)

 


 O texto acima foi extraído do Livro Transparência  de Chei Ai Min ; Psicografado por Oneida Terra. Edição própria de 1989.  Este livro é extremamente difícil de se achar, mas vale o esforço para adquiri-lo...seu conteúdo é muito enriquecedor e de grande qualidade filosófica.

 

 

04/02/1999