Caminhada
— Há um mistério na vida, mestre. Sigo por esta estrada, marcada por suavidades e asperezas, e contemplo o horizonte, querendo confundir-me com o ilimitado. Cresce, apesar dos incessantes passos, a sensação de lonjura. Como atenuar este estado interior, conquistando serenidade?
—
É necessário expandir a visão
íntima mais do que a exterior.
Cada ato que praticares para
permanecer na caminhada, esforçando-te pela comunhão com o Poder Eterno, é a
realização ideal. Não anseies o horizonte distante ou a tua consciência não
perceberá o bem que nasce ao teu lado. Conquista tranqüilidade pois toda
inquietude gera desatenção. A beleza do horizonte agasalha-te mesmo à distância.
Por que exigir proximidade?
—
Julguei que esse percurso
transcorresse mais rápido. O dia e a noite encontram-me repetindo as mesmas
experiências sem grandes transformações.
—
Cuidado, Chin An Ling com
essa ansiedade de grandes realizações. Começa pelo mais simples, sem nenhuma
ambição. Se for preciso, pára em determinadas sombras que a estrada oferece-te
para aprofundares a meditação. Quantas vezes parando é que se alcança um bem
maior? Os que passam correndo enquanto caminhas, afastaram-se da prudência. Vês
aquele homem, Chin An Ling?
—
Sim, Mestre!
—
Observa-o. Sentado na relva,
tem os olhos, momentaneamente, fechados. Une-se ao Poder Eterno e haure forças
para a continuidade de seu caminhar. Compreende que a plenitude para nós, neste
momento, não é a amplidão. O que farias com o ilimitado?
—
Não sei, mestre, não sei...
—
Muitas vezes, recebendo uma
semente, o homem não sabe como semeá-la e abandona-a, à margem de seus passos,
sem o menor esforço da descoberta. O necessário, que te vem à mão, obedece à
Sabedoria Eterna. É a parcela junto à qual tens condições de construir.
—
Mestre, tuas reflexões
levam-me a compreender que felicidade é estar na estrada, aprendendo na
seqüência branda do caminhar.
— Louvo-te a
receptividade, Chin An Ling e percebo que a teu lado seguirei em harmonia. Nossa
busca precisa convergir para a simplicidade e, se fugirmos das pequeninas
realizações, não atingiremos o Poder Eterno.
O texto acima foi extraído do Livro Transparência de Chei Ai Min ; Psicografado por Oneida Terra. Edição própria de 1989. Este livro é extremamente difícil de se achar, mas vale o esforço para adquiri-lo...seu conteúdo é muito enriquecedor e de grande qualidade filosófica.
04/02/1999